Não é assim que dizem? Pese o cuidado extremo que devemos ter com o jornal, esta notícia - e muitas outras como ela - ajuda a construir uma representação social da justiça. Quem lê sem um pé atrás, sem um pingo de desconfiança, sem reserva, torna-se num mau cidadão. Num cidadão desligado e agressivo.
Vejo muita gente preocupada com o PSD, ao qual muitos anos de carne assada roubaram nervo e classe, mas pouca preocupada com o PS. E é estranho. O actual PS é um grupo na defensiva há três anos. Defende-se dos professores, dos agricultores, dos media ( dos que não domesticou) e dos magistrados, esses que agora acusa de espionagem política. Ataca os críticos na lógica do gangue: só contam os nossos. Suportou um governo, no qual a maioria dos ministros dispunha de menos autonomia do que os vendedores de enciclopédias, que reagiu à crise escondendo-a primeiro ( para não alarmar) e enforcando-a depois. Subscreveu essa megalopata mentira dos grandes investimentos públicos sabendo que não há dinheiro nem para o sabonete. Um partido socialista? Um partido de um grupo, um grupalista: Sócrates trabalha com um comando de tropas reservadas e fiéis, que vai enroscando em empresas públicas e institutos à medida que vão perdendo a validade. Quanto mais acossado mais recorre à reserva. Nos media reuniu um pacote de hoplitas com provas dadas. Quem não se lembra do nojento Correio da Manhã e da sua campanha negra dirigida por João Marcelino contra Paulo Pedroso e Ferro Rodrigues? Não faz mal, agora dá jeito e até é medalhado. No plano pseudo-partidário, ninguém ouve os exilados Carrilho e Cravinho, Alegre murmura umas coisas e a parada está tão vazia que Soares é o encarregado dos resumos para a soldadesca. Em Lisboa nutriu um exuberante conjunto de irrelevâncias que não se destaca propriamente pelo pensamento político. São funcionais na ponte para outra irrelevâncias e ascenderam ao estrelato pimba com Sócrates. Ocupam-se de sexo, crucifixos, sexo e crucifixos. Nos intervalos abastecem-se em lojas caras e dizem que lêem livros. O Grupo Nacional é uma ficção e uma ficção não deve estar no poder.
posted by FNV on 11:36 PM
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DA ARTE DE FURTAR (II):
"Naõ sey, se he certa huma murmuraçaõ, ou praga, que corre em todas as Cortes do Mundo, que mais se ganha no paço ás barretadas, que na campanha ás lançadas".
O Jorge Pelicano está na TSF a falar. O Jorge Pelicano filma o que somos, o que já fomos e o que não podemos ser. Filma. Não pensa que filma enquanto declama ou filosofa. Filma.
Não sei se é de propósito se é engano do Professor mas o que o PGR terá vindo dizer é que considerava que, nas escutas em causa, não haveria indícios probatórios do crime de atentado contra o Estado de Direito praticado pelo PM. Sobre o valor e interesse das escutas para o processo que está a decorrer, o PGR não se referiu. Nem me parece que se deva referir. Sobre a relevância penal das escutas para o processo Face Oculta decidem os Magistrados de Aveiro. Daí que não faça sentido esta obsessão doentia de se pretender destruir as escutas o mais rapidamente possível.
posted by VLX on 3:53 PM
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OS MARINHEIROS AVIAM-SE EM TERRA:
Atenta a forma arrebatada com que certa facção defendia a sua posição, ontem, no Prós e Contras, atrevia-me a sugerir aos Magistrados de Aveiro que guardassem bem guardadinhas as escutas de que tanto se fala. Pelo rumo que levam as coisas quando se toca ao de leve em certas pessoas, ainda poderão vir a ser necessárias para a sua própria defesa, mostrando ao mundo as razões das suas decisões.
O Bastonário da OA tem uma tese engraçada. Os Magistrados que, no decurso das suas funções, suspeitem e sintam ter razões para suspeitar da prática de um crime deverão ficar quietinhos se o agente for o Primeiro-Ministro. Porquê? Porque deviam saber do chinfrim que o seu gesto poderia vir a provocar na comunicação social. Abstenho-me de recordar que quando o caso chegou à comunicação social já tinha saído da mão dos Magistrados há meses. Mas não posso deixar de considerar estranho que um Bastonário defenda um regime especial para o Primeiro-Ministro por causa da comunicação social. Se, pelos mesmos factos, estivesse em causa o inocente da aldeia, choldra com ele. Sendo o Primeiro-Ministro, arruma-se logo a questão bem arrumadinha para não se correr o risco de sair nos jornais. Isto, mesmo vindo de quem vem, não tem pés nem cabeça.
A estratégia da equipa de Passos Coelho é evidente: antecipar as eleições para potenciar o efeito de estufa. Como PPC há muito que está no terreno ( desde 1872), quanto mais cedo forem as eleições mais radiação terá a sua candidatura. A clássica escolha do terreno. Também não está mal visto sob a perspectiva estritamente clausewitziana: reduzir o grau de incerteza acerca da força do inimigo e não se deixar afectar pelos rumores sobre ela (Principles of War, pp62 da Dover 2003). Resumindo: têm medo de Marcelo.
posted by FNV on 1:47 AM
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TODO O HOMEM TEM O SEU PREÇO:
No debate ( RTP1), numdebate, o juíz -desembargador atira ao Bastonário (dos advogados) como quem repreende um gaiato: Se você me interrompe saio da sala. O preço deste Bastonário, temerário, mata-juízes, mata-corruptos, mata-tudos, é o espectáculo. Ameaçam pegar fogo ao circo e ele cala-se.
1) Gaspar Ramos, na TSF, e com a inteligência que o tornou famoso no Café Estrela, acaba de classificar os jogadores do Sporting de "vulgares". Vá, esforce-se mais um bocadinho para incentivar os lagartos.
2) O autocarro do Guimarães foi atingido por uma pedra. Nem nisso somos melhores do que os minhotos ( campeões da modalidade).
Um défice descontrolado e um endividamento público tresloucado. É a crise? Seja. Já sabíamos? Pois já e há muito tempo. MFL é que não tinha visão? Desse tipo não tinha de certeza. O que eu quero é que os portugueses que votaram no PS lhe peçam agora o TGV e uma mão cheia de auto-estradas paralelas.
É óbvio que o anonimato permite que o Valupi até possa ser um jornalista e ir tranquilamente entrevistar o dr. Louçã, a quem, na véspera, no blogue, chamou "monte de merda". Isto é pacífico. Verdadeiramente podre é o uso que compostinhos blogues assinados fazem dos fígados do Valupi. Enquanto prezam a urbanidade e condenam o insulto soezfrequente noutras aldeias, lá fazem, videirinhos, os links para os posts do Valupi.
Sou um súbdito da síntese. Venero-a. Francis Ponge é um caso: muito textual, como quase todos os franceses do século passado ( retiro Char, Vian e Cocteau), é, no entanto, capaz de contracções magestosas:
Sans doute suffit-il de nommer quoi que ce soit - d'une certaine manière - pour exprimer tout de l'homme et, du même coup, glorifier la matière, exemple pour l'écriture et providence de l'esprit.
( 1963)
posted by FNV on 10:40 AM
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NEM TUDO O QUE LUZ:
É ouro e nem tudo em política se deve fazer por lucro:
1) Dizem-me aqui que digo mal, que sou desviante, etc. É necessário perceber que não se é do Benfica para ganhar. Essas movidas acontecem com o Fóculporto, com o Braga, com o AZ 67, com o Wolfsburgo. É-se do Benfica com a naturalidade da cor vermelha do sangue que nos corre nas veias. Transfusões e sangrias são coisas secundárias.
2) O Penna Bianca esteve mal. Mexeu tarde e mexeu mal. Não somos educadores de empregados do Barcelona e o Angelito quando não está a jogar nada tem de ir chupar churros para as cabinas. Simples.
3) Carvalhal vai ter mais seis dias para implementar as suas ideias. Nem tudo é mau.
Se Pinto Monteiro tivesse decidido o contrário, seria um "adversário de Sócrates" , um ressabiado, um ranhoso, etc. É assim o extremo respeito pelo "estado de direito". Também é necessário saber em que sanatório vão ser internados os magistrados de Aveiro e de Coimbra. Resta dizer que Pinto Monteiro não poderia ter decido de outra forma . A única coisa que sabemos de ciência segura é que o PGR sabe de tudo isto desde Julho. E em Setembro houve eleições.
O Jorge Ferreira era um ami de blog. Dos antigos. Só o conheci neste mundo, mas ainda assim comunicámos, ao longo dos anos, muitas vezes nos blogues e em privado; como dois benfiquistas do século XVII, separados por um mar infinito, trocando correspondência também sobre outros assuntos poderosos. Muito poderosos. Como ele se deliciava com as minhas stasis benfiquistas, elas ser-lhe-ão doravante dedicadas.
posted by FNV on 7:10 PM
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O FIM DA FAMÍLIA - ou a função e o desastre (II):
Ocorre em alguns estados norte-americanos um desvio interessante. Quando same-sex-parents (SSP) se separam, o pai biológico ( homem ou mulher), em caso de conflito sobre a guarda da criança, utiliza frequentemente o mesmo sistema que lhe negou o direito a constituir legalmente uma família. Os tribunais decidem sempre a favor do pai ou mãe biológicos, pois apenas estes são reconhecidos. Os SSP amputados do parceiro que não tem o laço biológico com a criança passam a constituir uma família semi-legal. A minha deambulação por esta secção deveu-se a uma curiosidade. Estudando a literatura científica tenho-me deparado com uma coisa notável. Existe unanimidade acerca das conclusões em todos os estudos ( exceptuando um que fica para outra altura) sobre a qualidade de vida de crianças filhas ( biológicas de um ou de nenhum dos membros) de casais homossexuais. Unanimidade em ciência ( psicologia clínica e do desenvolvimento, sociologia, psiquiatria, pedopsiquiataria) é algo de muito raro. É certo que a ciência é unânime acerca da fórmula da água, mas este assunto é um bocadinho mais escorregadio. Uma das justificações que os empenhadíssimos cientistas pró-LGBT dão até é razoável: as amostras são pequenas. Ainda assim, haverá muito, mas mesmo muito, para desbastar nesse terreno e , por isso , regressarei a este tópico mais tarde. O problema do laço biológico, como vemos, não nos larga. A adopção até acaba por ser uma questão menor, porque quase sempre um dos membros do casal consegue ser pai biológico da criança. E é porque o outro, manifestamente, não o consegue ser, que os tais laços da carne ( escarnecidos pelo psicólogo que citei no número anterior) assumem um papel crucial nesta história. ( continua)
posted by FNV on 10:07 PM
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MACACOS DE AUDITÓRIO:
O director do Sol queixa-se de pressões e não diz quem pressionou? Ou fazia queixa e aguardava, calado, o desenrolar do processo, ou então dizia quem o pressionou. Estas diversões podem ser boas para vender jornais, mas só distraiem do esssencial.
Apesar da agressividade idiota com que me brindou no caso das escutas de Belém, a Fernanda Câncio tem razão. Cama é cama, política é política. Foi essa a minha posição aqui no blogue em discordância com o Vasco Lobo Xavier. No tal episódio do DN Contra Gate, em que fui instado a "a ter coragem" ( a coragem é para outras lides, mas enfim...) e a "deixar-me de insinuações", a minha tese era simples: FC escreve regularmente a favor de Sócrates num blogue que apoia Sócrates e é jornalista do DN. Ainda tentei explicar-lhe isto, civilizadamente, mas não adiantou nada.Já na altura do lamentável episódio Gomes da Silva ( a propósito de um programa de FC na RTP-2) tive, aqui, no blogue, a mesma posição. Não está em questão se a senhora A ou a senhora B é vista com o senhor X ou Y. Estão em questão, e também já aqui o disse, dois pontos:
1) As opiniões das ditas senhoras têm de ser avaliadas por aquilo que valem.
2) Muito mais importante são outro tipos de relações ( foi sobre isso que escrevi em tempos). Por acaso sabemos das ligações de interesse político, ou de dívida, de jornalistas com empresários, banqueiros, generais, professores, etc?
Na minha opinião sobre o DN Contra Gate, que provocou uma reacção imbecil de FC, o que apontei foi exactamente isso: alguém dentro do DN muito próximo de Sócrates. Diria o mesmo se fosse Santos Silva: isso não implicaria uma relação sexual de SS com Sócrates, pois não? O ponto 2 é que interessa e esteve em jogo no DN Contra Gate. Curiosamente, nessa altura, e nesse contexto, FC preferiu armar-se em vítima, fingir que não percebia e fazer uma insuportável exibição de suposta superioridade moral totalmente disparatada. Não é nada parva.
As Musas amam os tolos; e, por isso, me indispuseram com os códigos, com os jardins municipais, os cavalheiros da política, os tectos de estuque, os edifícios de cimento e outras manufacturas da ciência.
Quanto tempo dura uma separação. É muito mais encorpado do que saber porque se separaram. Duas amigas zangaram-se no liceu, dois namorados rompem definitivamente, o filho nunca mais voltou a casa desde que o pai lhe levantou a mão. Desde logo porque é uma cidade aberta. Ninguém toca. Depois, ao contrário do que acontece no desgaste das relações, porque o tempo é um fantasma: vai separando sem nunca o agarrarmos.
posted by FNV on 12:15 PM
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O FIM DA FAMÍLIA - ou a função e o desastre (I):
Irei pelo bosque procurando o caminho dos lenhadores. Série sem pretensão doutrinária, apenas o simples prazer de pensar e discutir.
É precisamente no enfraquecimento do laço biológico que começa o enfraquecimento da família. A massa consumidora de qualquer último modelo de qualquer coisa reune-se nesse ponto aos movimentos LGBT: o desprezo pelo biológico . No outro dia, um psicólogo dizia na Pública que está na altura de questionar a importancia fictícia dos laços da carne. As alianças de circunstância produzem, no entanto, resultados inesperados. Os vínculos aos velhos e às crianças são um impedimento para a mobilização infinita ( com licença de Sloterdijk). Quando nos divorciamos , tendo crianças pequenas a cargo, para obter melhor sexo, mais sossego ou essa coisa com boné de marinheiro ( o amor), somos agéis: vou continuar a ser pai, vou continuar a ser mãe. Notem que neste ponto o laço biológico é subitamente valorizado ( a culpa faz milagres). O pais são os pais biológicos, mesmo que depois estabeleçam com os filhos um tipo de relação que fará a fortuna de consultórios como o meu. Os desprezo pelos laços da carne que os LGBT nutrem é mais compreensível. Num casal, masculino ou feminino, um deles não poderá estar unido à criança pelos tais laços da carne. E, sim, há casais do mesmo sexo. Um casal é uma realidade observável, evidente, e o facto de ser do mesmo sexo não invalida a classificação, a menos que estejamos reduzidos à biologia das cabras e dos bodes.Para mais, um casal é definido por quem o compõe. O problema é outro. Um dos argumentos clássicos nos defensores de adopção em casais homossexuais é o do desejo. Fazem muitas vezes a comparação entre a gravidez nascida de um a noite com muito álcool com os perseverantes trabalhos que passam lésbicas e gays. Um erro óbvio. Aqui há tempos, um resort espanhol propunha um pacote lésbico: férias, praia, spa e inseminação artificial em absoluta confidencialidade e segurança. A equivalência retórica só é possível porque o laço biológico, impossível de ser pleno para ambos, tem de ser electrocutado. Qualquer uma destas gravidezes é fortuita - de uma bebedeira ou de umas férias na praia. Aliás, muitos casais hetero fazem bebés fortuitamente em férias de praia ( ou em reconciliações à beira-mar).
Certamente mais um invejoso alucinado. Não lhes bastou terem viciado as eleições, viciaram também a investigação. O vício é viciante, daí ser um vício. Outra coisa: já repararam que temos, neste momento, um PM nas mãos de dois magistrados?
O Ribeirinho ( deve-se ter zangado com o Professor Pardal) acaba de dizer, na SIC-N, que o futebolzinho português é isto, que deu à tangente para ir ao Mundial e é um pau. Obviamente isto significa que estaremos, pelo menos, entre os semi-finalistas.
Mar de opinioes, ideias e comentarios. Para marinheiros e estivadores, sereias e outras musas, tubaroes e demais peixe graudo, carapaus de corrida e todos os errantes navegantes.